Filmes Comentários

domingo, 30 de outubro de 2011

Lá vem a lenga-lenga marxóide... De novo!

Nada como uma fogueirinha inquisitória midiática para aterrorizar ladrões do dinheiro público: eles podem não ir presos, nem devolver o dinheiro roubado ao Erário, mas ficam desmoralizados na fogueira. Já é alguma coisa.




TonY Pacheco


Nos tempos do movimento estudantil, nos anos 1970, quando lutávamos contra a ditadura, os marxistas (ainda não participantes do SEGUNDO TEMPO, aquele programa que recebe pacotes de dinheiro na garagem do Ministério) diziam que quem não estava com eles eram "irresponsáveis", "nihilistas", gente que "não tinha propostas".
Agora, vendo que o MOVIMENTO CONTRA A CORRUPÇÃO cresce, sem os partidos políticos nem os sindicatos, muito menos sem a correia de transmissão de reai$ chamada UNE, os marxóides voltam ao seu lero-lero de que tem que "haver propostas". Tem um que está no Facebook dizendo que o MCC é tudo hipocrisia, pois ele ainda não viu nenhuma proposta para ser levada ao Congresso que redunde em leis contra a corrupção. Este Congresso? Este Congresso fazer leis contra corrupção? kkkkkkkkk
Olhem o que postei no meu Facebook para colocar pimenta nesta moqueca:

É o que faltava! Aqueles que não querem ver o crescimento do Movimento Contra a Corrupção (que não tem chefe, nem partido, nem sindicato, para desespero de uns tantos...) agora reclamam que "NÃO VI UMA PROPOSTA CLARA DE REFORMA DA LEGISLAÇÃO". Estimados jornalistas, vamos didaticamente. Reforma da legislação é feita por... LEGISLADORES. Quem são eles? Deputados e senadores. E por que, então, não adianta ficar fazendo proposta de reforma da legislação anticorrupção? Porque como dizia Lula quando não era nada, "O Congresso tem 300 picaretas". Ora, ora, ora! Estes deputados e senadores JAMAIS votarão QUALQUER COISA, POR PEQUENINA QUE SEJA, contra si mesmos. Qualquer lei anticorrupção ATINGE 90% DO CONGRESSO NACIONAL. Portanto, se vai haver mudanças, elas têm que ser construídas nas ruas, na Internet, nas páginas dos jornais e revistas até forçar o sistema a mudar. Ou não. Mas, SE NÃO, pelo menos, VAMOS QUEIMÁ-LOS, SIM, NA NOSSA FOGUEIRA INQUISITÓRIA. Eles ROUBAM, MAS TÊM QUE SER DESMORALIZADOS POR ISSO. 

Sorria. Você está sendo controlado.

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Carlos Baqueiro

Ouça aqui uma experiência de Bricolagem em Rádio.
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Se desejar mais informações a respeito do tema Vigilância e Controle Social clique no link abaixo:

http://aeradopanoptico2011.wordpress.com/

sábado, 29 de outubro de 2011

Que falta faz um revisor nos jornais

 toNY paCHeco

Num dado momento do jornalismo, ali, por volta dos anos 1990, a Universidade de Navarra, através de sua Faculdade de Ciências da Informação (quanta pretensão...), achou que não deveria haver mais revisores nas redações de jornal. Que todo jornalista tinha a obrigação de saber a língua na qual se comunicava. É o velho comportamento idiota de boa parte do mundo acadêmico: achar que a realidade tem que se moldar aos seus pensamentos e não o contrário.
Deu o que deu: menos de 20 anos depois, os jornais cometem erros crassos e não há mais ninguém nas redações sequer para detectar que ali está sendo cometido um.
Vejam o que aconteceu na "Tribuna" de hoje, sábado: a OAB condena os twitteiros que falam mal de nordestinos e tasca uma palavra racista para definir o malfeito ("denegrindo"). Ora, denegrir significa falar mal de uma pessoa ou coisa, mas usando palavra que tem raiz em "negro" para explicitar, nos remetendo a um tempo em que ser negro era uma coisa ruim. Portanto, não se deve mais usar o termo denegrir, muito menos como reação a racismo contra nordestinos. O jornal não errou, pois foi o porta-voz da OAB quem foi racista, mas o repórter tinha que fazer a ressalva logo depois do mal dito (separado, claro...).
Já no "Correio" de quinta, o repórter tascou na matéria sobre racismo no pagode do Exaltasamba: "o primeiro não se fez de rogas" (sic). Com certeza quis dizer ROGADO, mas, como não conhece a expressão, usou errado. Nisso, aliás, meu primeiro professor de Português, António Vidal Campanti, lá em Minas, nos dizia: "Para escrever sem medo de errar, comece usando apenas as palavras das quais você tenha certeza absoluta do significado". Jamais esquecerei professor Campanti, que nos dava cascudo sempre que escrevíamos ou falávamos errado.
Isto me faz lembrar um problema crônico que eu tinha com um repórter de  "A Tarde". Ele gostava de usar termos estrangeiros em suas matérias e eu era copidesque (estranho este nome, os jovens jornalistas nem sabem o que é). Um dia, perdi a paciência com a insistência de ele usar palavras das quais ele não conhecia o significado e sempre escritas de forma errada ou com o sentido inadequado: "Criatura - disse eu -, você fala Inglês? Não. Você fala Francês? Não. Tem proficiência em Alemão? Não. Então, pare de usar palavras que você não sabe escrevê-las corretamente." Pronto. Ele parou e se transformou num excelente jornalista.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PCdoBolso. A que ponto chegamos...


Corra pras bancas e pegue a sua antes que acabe. Se não for pela seriedade das denúncias de corrupção contra os membros do Partido COMOnisto, que seja pela capa da revista que é simplesmente genial.

tonY pacHeco

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O preconceito e seus equívocos

Ricardo Líper


O problema e a estupidez dos preconceitos é que o preconceito se baseia em um equívoco essencial. Esse equívoco está assentado numa confusão entre o que é essencial ou não nas pessoas para elas serem pessoas boas. É a questão da ênfase dada a aspectos secundários das pessoas em detrimento dos principais. Isto é, dar ênfase à cor da pele, dar ênfase como a pessoa goza, que religião ou filosofia política professa etc. Reduz assim toda a sua personalidade, capacidade intelectual e profissional a coisas secundárias e tolas.  Esse é um grande equívoco. É ser muito ingênuo e tolo. Otário, em suma. O preconceito é, antes de mais nada,  coisa de otário. Ele é manipulado por teorias com segundas intenções como, por exemplo, explorar populações como os escravos negros os dizendo inferiores. O alienado, equivocado por teorias falsas, mas maliciosas, não percebe que o que importa, no ser humano, é seu caráter em primeiro lugar, portanto, sua capacidade de ser bom, justo, e, assim sendo, amar e gostar dos outros.  Portanto, se ele é um amigo leal, muitas vezes tranquilo e espirituoso. São essas coisas que nos fazem gostar, realmente, das pessoas.  Ou você prefere um branco canalha a um negro que  tenha caráter, palavra e não vá lhe maltratar, explorar, trair? Você prefere um travesti honesto, leal ou um homem machista, ou que assim se diga, canalha, mentiroso, que vai, na primeira oportunidade, lhe aplicar um golpe? E aí você me diz: - Mas se os dois forem honestos quem você preferiria? Os dois. Nunca eu iria optar por me relacionar com um sujeito sem caráter, golpista, agressivo, que pode a qualquer momento me trair, criar armadilhas para eu me dar mal, invejoso, cretino.  Não gostaria de fazer nenhum negócio com um homem branco desonesto ou empregá-lo, se eu fosse um empresário, o trocando por um travesti honesto e, profissionalmente, capaz. A raça, a religião, os hábitos sexuais que eu  procuro nas pessoas que eu gosto se chama caráter. Só tenho um preconceito. Não gosto de cretinos. Porque no mundo real, o que nos atrai mais no ser humano é ser bom, justo, honesto, amigo, agradável de se conviver. Diante dessas qualidades, até a beleza do corpo é secundária. Só no delírio das teorias, religiões e filosofias fascistas, sob várias roupagens, que alimentam os preconceitos, é que se pensa o contrário. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Orlando e o PCdoB: arrogância ou oligofrenia?





tonY pacheco

E lá se vai mais um ministro da Dilma herdado de Lula. Coincidentemente, todo mundo que o mentor deixou pra ela foi pego com a boca na botija. Mas o que fico a pensar é o por quê de estes senhores resolverem se prestar ao papel de inocentes, que, realmente, não lhes cabe.
1) Precisava Orlando Silva se desmoralizar nacionalmente ao resistir às denúncias? Não seria mais prático renunciar imediatamente e dizer que voltaria quando inocentado fosse se inocente fosse?
2) Precisava o Partido Comunista do Brasil desmoralizar-se nacional e internacionalmente por causa de um ministro de caráter duvidoso? Não seria mais prático exigir sua renúncia à primeira denúncia e preservar o Ministério para o PCdoB? Agora, talvez não dê mais, pois o partido já mostrou que é igual ao ministro e vice-versa...
3) Precisava matar o sonho de tantas pessoas, principalmente jovens militantes, que acreditavam na honestidade de princípios socialistas? Talvez a maior morte que tenha ocorrido neste episódio é a morte dos sonhos dos mais jovens...
4) Precisava o Sr. Lula continuar a sua insana tarefa de manchar sua biografia defendendo mais uma pessoa suspeita das piores falcatruas? Não seria mais inteligente tomar distância dizendo que não é mais presidente e, por isso, não podia deitar falação sobre o caso?
5) Precisava o Sr. Lula se meter no caso como se eminência parda fosse, pessoa que está atrás do poder, desmoralizando a Presidenta da República, colocando-a na posição de fantoche, de boneco mamulengo?
6) E a Presidenta? Precisava demorar tanto tempo diante de denúncias tão graves?

E, aí, voltamos à pergunta inicial: é arrogância ou oligofrenia?
Se for arrogância, é quase que normal em se tratando dos altíssimos cargos que as pessoas ocupam. PODE SER CORRIGIDA.
Se for oligofrenia, que é o que desconfio, NÃO TEM JEITO. Vão errar, errar e errar até serem todos escorraçados do poder, ou por renúncia, ou por impeachment ou nas urnas, que é o que seria mais legal para a gente poder continuar neste clima democrático que tanto lutamos para implantar, derrotando a ditadura dos generais, almirantes e brigadeiros.

sábado, 22 de outubro de 2011

Por que o baiano odeia chuva?

Quando visitou Salvador, a rainha Silvia da Suécia pegou um dos nossos torós e disse que "nunca tinha navegado de automóvel antes"  


toNy paCHeco

Fizemos uma reunião de jornalistas regada a muita cerveja e vodka nesta sexta-feira e notei, como sempre, a verdadeira ojeriza de todas as baianas e todos os baianos à chuva. As pessoas, aqui, ficam apavoradas de sair à rua quando chove e como aquela sexta-feira era o terceiro dia consecutivo de chuva fina e intermitente, chegaram todos apavorados à minha casa.
Aí, me decidi a essa reflexão, sobre o que acho que o baiano pensa das chuvas e porquê pensa.
1)    Todos aqui são bombardeados, desde a mais tenra infância, por uma informação distorcida de que Salvador é uma “Cidade Verão”. Isto faz bem às classes dominantes locais, que vivem de vender esta imagem para turistas incautos de todo o Brasil e até do exterior. Somos a cidade do “sol eterno” e de tanto repetir isso, o baiano acaba acreditando e, por isso, nunca pesquisa por conta própria a quantidade de chuva que cai em sua cidade todos os anos. Ora, Salvador tem média anual de precipitação de 2.226 mm, muito próximo dos 2.889 mm de Belém do Pará, uma das cidades em que mais chove no Brasil. E mais, Salvador tem menos insolação (número de horas em que a luz do Sol chega ao solo sem interferência de nuvens) que Fortaleza, Brasília ou, por incrível que pareça, Porto Alegre, onde o Sol brilha mais tempo que aqui. É mole? E Londres, que o baiano pensa que é uma cidade mais chuvosa que Salvador? Só 600 mm de chuva por ano. Quase quatro vezes menos água do que cai na capital baiana. Mas, por acreditar que aqui não chove, você, rarissimamente, vê um jovem baiano com um guarda-chuva na mão. Aqui é considerado coisa de maluco ter um guarda-chuva. Isso numa das cidades em que mais chove no planeta.
2)    Visto que o baiano ignora que aqui chove, normalmente, mais do que na maior parte do mundo, passamos para o caso mais delicado: o medo da chuva. Por que todo mundo fica apavorado em Salvador em sair em dia de chuva, seja para trabalhar, estudar ou a lazer? Porque somos governandos por sucessivas classes dominantes incompetentes e ignorantes que vivem de nos iludir sobre a chuvarada que a natureza nos propiciou. Chove em Londres, mas não há enxurrada em Londres. Casas não desabam por causa da chuva. O asfalto, perfeito, não esburaca com a chuva e seu carro não tem o pneu furado por causa disso. O metrô não inunda. Enfim, a chuva num país civilizado é apenas mais um componente do clima e da vida como um todo.
Aqui, não. Você sabe que chovendo, a maioria das avenidas vai inundar. Várias barreiras vão mergulhar no vazio, como aconteceu com a Ladeira do Cacau, em S. Caetano/Lobato, mais uma vez nesta semana. Você sabe que o asfalto fruto da corrupção generalizada na sua aplicação vai derreter e seu carro vai perder os amortecedores ou os pneus. Você sabe que os sinais de trânsito antiquíssimos e obsoletos vão deixar de funcionar e você ficará engarrafado horas e horas.

Resumo da ópera

O baiano é catequizado pela mídia, pelas escolas, por seus pais, enfim, por todos, que Salvador é uma Cidade Verão, onde chove pouquíssimo. As próprias autoridades acabam acreditando na mentira que vendem aos baianos e ao mundo e, por isso, abrem avenidas, por exemplo, sem construir redes pluviais embaixo do asfalto, daí todas alagarem. Vejam que o baiano só está construindo, agora, 500 anos depois, galerias para água da chuva nas avenidas Centenário, Jorge Amado e Vasco da Gama. Os governantes acham natural abrir uma avenida sem colocar galerias pluviais embaixo delas.
Como a cidade é campeã de chuva e como não tem nenhuma infraestrutura para enfrentar esta chuva, o baiano parte para o que os psicanalistas chamam de NEGAÇÃO. “Não. Aqui não chove tanto não”. E quando perdem os horários na chuva, seus carros caem em crateras etc. e tal, ficam em pânico e amaldiçoam os céus.

Já não está na hora de aprendermos que aqui chove demais e precisamos preparar Salvador para SERMOS FELIZES mesmo DEBAIXO DE CHUVA?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O século XXI e a selvageria humana

Alex Ferraz

Na TV, imagens assustadoras de mais um episódio da História. O corpo ensanguentado de um ditador sanguinário arrastado e exibido como carne num açougue, enquanto o povo que vivia sob suas garras dança e urra de alegria.

Khadafi foi executado, da mesma forma como ele mesmo fez com milhares dos que ousaram desafiar seu poder. Os rebeldes ditos revolucionários (e que já demonstraram como tratarão seus adversários a partir de agora, quem viver verá) mostraram que podem agir exatamente como agia o ex-ditador líbio,que, numa clar amostra da imponderabilidade que envolve o poder, passou a ser imediatamente execrado e teve sua execução saudada por governantes mundiais que, até um ano atrás, apareciam abraçados a ele, festejando acordos, com foi o caso de Berlusconi. Viveu em palácios, foi recebido em palácios, acumulou gigantesca fortuna, foi louvado como líder revolucionário quando derrubou a monarquia no seu país, recebeu sorriso e abraços de banqueiros suiços (sempre eles!) e, mais recentemente, portugueses, quando brigou com a Suíça e tranferiu sua fortuna para Portugal, e acabou como uma ratazana, retirado de um buraco de esgoto e executado a sangue frio.

Obama, o negro que emocionou o mundo ao ser eleito presidente da nação mais racista do do planeta, comemorou a execução de Khadafi, a despeito de governar um país onde a Justiça é rigorosa no trato dos direitos humanos, mesmo quando isso envolve o julgamento dos mais terríveis serial-killers. Mas Obama já provou que um negro pode, sim, matar como qualquer banco bushiano, quando invadiu o Paquistãoe executou Bin Laden.

Enfim, é este o século XXI que alguns ingênuos louvam como "virada" da humanidade, "nova era", era da "civilidade" e outras bobagens.

Tolice. Somos, como desde tempos imemoriais,selvagens, sanguinários, e na ânsia pelo poder vale,literalmente, tudo. Salvo as honrosas - e, pelo visto, inócuas - exceções de sempre.

Ufa... Menos um ditador no mundo.

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Em "homenagem" a redução do número de ditadores no mundo, posto hoje aqui o trecho inicial de um texto que saiu na edição 22, do jornal O Inimigo do Rei, em 1988.

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Só Cuba, atualmente, e o Uruguai, no auge da ditadura fascista pré-Sanguinetti, conseguiram a proeza da Líbia: ter mais de 10% de sua população no exílio. Sim, porque mais de 350 mil líbios estão refugiados em mais de 30 países, principalmente os da Europa Ocidental. Mas, mesmo no exílio, eles não estão totalmente livres das pressões da ditadura que vigora em seu pais de origem. A Policia secreta do coronel Kadafi, a Mukhabarat, tem comandos que vez por outra assassinam alguns líderes oposicionistas no exterior. Esta prática, aliás, a partir de 1980, levou vários países europeus a ameaçarem romper relações com Tripoli.

As vésperas de completar 20 anos no poder (ele tomou a chefia do Estado líbio do rei Idris I em 1º de setembro de 1969), Kadafi chegou ser confundido nos anos seguintes ao golpe de 69, com um agente da CIA, já que suas alianças com regimes e grupos terroristas reacionários mais o colocavam à direita do que à esquerda do espectro político. Basta ver que já financiou os fascistas argentinos em suas campanhas de terror, a ala direita do IRA e ja procurou alianças com dirigentes como Habib Bourguiba, da Tunisia, e Hassan II, do Marrocos. Ou, o seu apoio mais tragicómico, sustentar o ditador de Uganda, Idi Amin Da-da, nos últimos anos de seu regime em Kampala, quando Kadafi mandou 3 mil soldados líbios (que ele chamava de "voluntarios civis") para tentar deter o avanço da oposição que partiu da Tanzânia e do Quenia para derrubar o sanguinário ditador de opereta.

A jornalista Oriana Fallaci. que entrevistou Kadafi na própria Libia, dá uma explicação para esta confusão ideológica que Kadati faz, sustentando grupos e governos fascistas, e ao mesmo tempo, mantendo-se na vanguarda do movimento revolucionário mundial apoiando os palestinos mais radicais, por exemplo. Segundo Fallaci, "clinicamente falando, Muamar Kadafi é um louco".

Mas um louco não conseguiria manter-se tanto tempo no poder. Em verdade, Kadafi é o exemplo clássico do ditador que soube fazer carreira fazendo uma sólida base popular, igual aquela que Pinochet montou entre a classe média chilena, que lhe permite sufocar em sangue e miséria a classe operária do Chile.

Kadafi, cujo nome vem de uma tribo beduína, os Khadafeden, nasceu numa tenda a 500 km de Tripoli em 1942. Sua formação intelectual era fortemente influenciada pelo fundamentalismo islâmico da aristocracia militarista do exército do rei Idris I. Daí inclusive, a insistência de Kadafi em misturar socialismo com islamismo, coisas absolutamente excludentes, como qualquer pessoa medianamente inteligente pode ver, já que o socialismo é ateu, pois desde os seus primórdios entende que a religião é o principal instrumento de alienação da classe operária, haja vista que a promessa de um céu após a morte é um poderoso alienante, que distrái os proletários de sua tarefa de libertar-se da sociedade de classes que os mantêm na miséria atual.
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Quem estiver a fim de ver o jornal na íntegra, prá matar a saudade, segue o link.

https://picasaweb.google.com/104336729701655016518/OInimigoDoReiN22

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Leão chega perto de 1 TRILHÃO de reais de impostos


tOny pachecO

O Leão da Receita Federal brasileira arrecadou 75 bilhões de reais em impostos no mês de setembro de 2011, 5 bilhões de reais a mais do que no mesmo mês de 2010. Ao final de 2011, a Receita Federal deverá chegar perto de 1 trilhão de reais em impostos.
Não há, portanto, nenhuma explicação para as manobras de eminências pardas como José Dirceu de reeditar a CPMF para assaltar o bolso do brasileiro. Os impostos, mesmo com uma crise mundial batendo às portas do mundo inteiro, estão aumentando sua arrecadação de vento em popa, pois somos o POVO MAIS IDIOTA DO MUNDO.
Os governantes brasileiros cobram impostos MONUMENTAIS e a única coisa que nos dão é a certeza de que ESTAMOS SENDO ROUBADOS. Sim, roubados. Vide os escândalos que pipocam em todo o Brasil, mas principalmente em Brasília, nos últimos tempos.
Há DINHEIRO DEMAIS. O brasileiro paga imposto DEMAIS. O que não há é VERGONHA NA CARA.
Rouba-$e DEMAIS.
Tem dinheiro para nos dar uma Saúde do estilo Canadá e Suécia. Há dinheiro suficiente para termos rodovias, ferrovias, aeroportos e metrôs como se estivéssemos numa Alemanha. Há dinheiro para termos uma Educação no estilo da Coréia do Sul. Há dinheiro para termos uma segurança pública no estilo Suíça.
Mas a vergonha na cara está ao estilo Líbia de Khadafi, Zimbabwe de Mugabe. Todo o dinheiro está indo para poucos bolsos, em vez de ser reinvestido.
Os movimentos anticorrupção TÊM QUE CRESCER e ficarem cada vez mais OUSADOS.
Já não é questão de querer ou não querer. É um imperativo de sobrevivência.
O Brasil não pode chegar a dezembro arrecadando 1 TRILHÃO DE REAIS de impostos federais e saúde, segurança, infraestrutura, educação amargando penúria por causa de DESVIOS de dinheiro público.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Negras Tormentas: 140 Anos da Comuna de Paris

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

No dia 05 de Outubro aconteceu no Sindipetro do Rio de Janeiro o lançamento de um título importante para todos aqueles que ainda creem nas possibilidades de mudanças de rumos na História de nosso mundinho chamado Terra.

O livro “Negras Tormentas: o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”, de autoria do anarquista carioca Alexandre Samis. 

Alexandre é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. Também escreveu os livros Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil (Imaginário/Achiamé, 2002) e Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos (Letra Livre, 2009).

Fiz duas perguntinhas a ele. Seguem as questões e suas respostas.

De que serve a um indivíduo comum entender o que se passou há tanto tempo na Comuna de Paris ?
Sabemos que os eventos históricos não se repetem e que as sociedades onde eles tiveram lugar e o tempo no qual aconteceram são únicos. Não é possível, portanto, extrair destes acontecimentos lições com o caráter absoluto, aplicáveis a outros tempos e sociedades, mecanicamente, como uma colagem. Todavia, estudar estas experiências é fundamental, uma vez que elas podem revelar as formas através das quais os indivíduos, grupos e mesmo uma cidade inteira, como foi o caso da Comuna, conseguiram em determinada circunstância romper com os paradigmas dominantes de uma época. Estudar a Comuna de Paris é menos uma homenagem nostálgica do que uma forma de entender como irrompem as lutas sociais em uma sociedade estratificada em classes sob a ordem do capital. Indo mesmo muito além da erudiçã o acadêmica, o estudo de casos como este, permite utilizar a História como ferramenta de transformação, uma vez que o simbolismo de certas realizações serve de manancial, de inspiração, para atitudes contemporâneas.
O que levou você a escrever sobre esse acontecimento ?
A Comuna foi a realização de uma parcela significativa dos trabalhadores de Paris. Foi, antes de tudo, um fenômeno de autoinstituição da classe, conceito tomado emprestado de Cornelius Castoriadis. Ela não foi, como tentou-se fazer crer depois disso, uma efeméride tributária de uma ideologia e muito menos realizada a partir das prescrições de alguma mente brilhante. A Comuna foi a realização de um ente coletivo - podemos chamar de povo, como gostava de classificar Proudhon as diversas forças sociais, ou o Partido do Trabalho – organizado a partir de uma tradição federalista e internacionalista. Contou com a colaboração de mutualistas, coletivistas, jacobinos e blanquistas, todos estes subordinados a um projeto coletivo emanado dos bairros, locais aliás onde aconteceram de fato as coisas. Foi também imensamente influenciada pelos membros da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), não pelas ordens que chegavam de Londres, do Conselho Geral, mas das 35 seções que existiam dentro de Paris, espalhadas pelos 20 distritos da capital. Estes trabalhadores, quase todos anônimos, reconhecidos entretanto pelos seus iguais nos locais de trabalho e moradia, é que deram consequência aos atos de motim que tiveram lugar no dia 18 de março de 1871. Muitos deles estavam inclusive dentro dos batalhões da Guarda Nacional, envergando o uniforme azul e empunhando a bandeira vermelha que passou a representar o projeto de República Social. Isso não tinha sido dito ainda no Brasil.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Deviam fazer uma coisa, mas fazem outra



A ISTOÉ anteviu, em 2009, o que é que ia dar misturar o PCdoB com um mar de dinheiro


Tony pacheCo


Dando uma olhadinha rápida no jornal e vejo logo: o ministro do Partido Comunista do Brasil, Orlando Silva, que, teoricamente, deveria ser uma pessoa comprometida com as classes trabalhadoras e com o fim da roubalheira que é o capitalismo (só rouba os pobres), foi pego com a boca na botija e denunciado por um sujeito que participou do mesmo esquema: receber milhões em dinheiro sujo na garagem do próprio Ministério do Esporte. Será verdade? Não acredito!


Já os médicos Pedro Henrique Torrecillas, Rui Noronha Sacramento e Mariano Fiore Júnior, que fizeram o juramento de Hipócrates (hipócrita?) pela defesa da vida humana e para salvá-la comprometer as suas próprias vidas, foram pegos com a mão na cumbuca tirando rins dos pacientes para vender no intenso e multimilionário mercado de órgãos global.

Mas o soldado da PM Elisinaldo Santana Lima (um nome lindo!) é o detentor do prêmio Cumprindo o Dever, ao ser pego com as mãos nos volantes de um Toyota Corolla, um Hyundai i30 e um Chevrolet Prisma, todos os três roubados e guardadinhos na casa do soldado no aprazível bairro do Saboeiro. Entende-se até o bom gosto do soldado PM, mas não se entende o que este Chevrolet Prisma estava fazendo na garagem desta autoridade policial.

Para quem se interessar pela Era do Panóptico

Hoje, terça-feira, estreia uma nova série no canal fechado Warner, 44 na Sky: "Person Interest".
Parece que é, justamente, aquilo que hoje é objeto de estudo por parte de nosso Baqueiro: o controle social através das câmeras que se espalham pelo mundo.
É hoje, a partir das 21 horas. Vale a pena conferir.


tonY pachecO

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Salvador, Salvador, terra de muita dor!

Lembrando a Legião Urbana, "por que fazer um deus ficar tão triste?", afinal, Salvador homenageia Cristo no nome, não é verdade?




toNy PacHeco

Uma vez por mês, pego meu carro e vou dar uma de dona-de-casa e vistoriar minha velha Salvador.
Neste último fim de semana resolvi visitar a Cidade Baixa. Quando saí do Túnel Américo Simas, a primeira surpresa ruim. Buraco no fim do túnel, em plena curva. Talvez seja por isso que vez por outra uma carreta despenque ali ou um carro bata no outro fazendo bagaceira.
Aí, peguei a Av. Jequitaia. Uma sucessão de buracos de dar medo. Pobre da suspensão da barqueta...
Passo pela Calçada e chego ao Largo dos Mares para pegar a Av. Fernandes da Cunha, onde as sinaleiras não têm sincronia e você pára, avança, pára, avança. Um monumento à modernidade!
No Largo de Roma, que algum tolo rebatizou de Largo Irmã Dulce sem saber que o largo é dedicado à Nossa Senhora de Roma, Mãe de Deus, hierarquicamente superior a uma freira... Bem, pelo menos é o que eu pensava...
A buraqueira é generalizada, da Fernandes até da Cunha até às vias que circundam o largo, que está abandonado, feio.
Aí pego a Av. Luiz Tarquínio. Outra sucessão de crateras como nunca vi, até o Largo da Boa Viagem.
Dali, pego a Rua da Boa Viagem e é o maior mangue. Mão e contramão numa via estreitíssima onde é permitido o estacionamento de ambos os lados. Vou negociando, negociando e chego ao final de 100 metros, que percorreria em 10 segundos, após quase meia-hora. Ninguém merece!
E lá vem mais buraco, quando desço para a Ponta de Mont Serrat onde a via mal cabe um veículo e se permite que ainda se estacione na ladeira. É Salvador!
Como é o primeiro dia do horário de Verão e sei que terei Sol até 20 pras 7, resolvo esquecer tudo, mas aí vejo que a ponta da igrejinha foi alugada (alugada por quem, se é ESPAÇO PÚBLICO!) para um casamento. Privatizaram a Ponta de Mont Serrat no primeiro pôr-do-sol do Horário de Verão 2011/2012.
Meus amigos, paulistas, não entendem nada. E eu nem tenho coragem de explicar. Faço igual ao call center indiano da GVT: “É assim mesmo”, digo eu.
Desistimos do pôr-do-sol ali e rumamos pela Rua Rio S. Francisco, com mais buracos, em direção à Igreja do Bonfim e constatamos: ô pracinha feia e mal-cuidada é aquela do maior cartão-postal da Bahia. Vixiiiiiiiiiiiii!!!
Resolvemos ir para a Ponta da Penha, na Ribeira. Mais buraqueira nas avenidas Porto dos Mastros e Porto dos Tainheiros. Na Av. Beira-mar, a incrível constatação: ali deveria ser, DESDE SEMPRE, MÃO ÚNICA em direção ao Bonfim, pela orla. Mas é mão-dupla e com estacionamento em ambos os lados. UM INFERNO!
Desisti de continuar tentando passear na Península de Itapagipe e levei meus amigos paulistas para o Rei da Pamonha, na BR-324, fora de Salvador. Lá eles comeram salgadinhos deliciosos (culinária paranaense kkkkkkkk), tomaram suco de milho à vontade e se esqueceram que estavam em Salvador, pois ali tudo é limpinho, novinho, atendentes educadíssimos...
A que ponto chegamos, triste Salvador!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Capitães de Areia o Filme

Ricardo Líper
Não gosto de transformar e empresariar as características e os tipos populares de nenhuma cidade ou Estado, como muitos fazem, por exemplo, se escorando no bahiismo. Tem coisas que gosto na Bahia como outras que gosto em muitos outros lugares como costumes, tipos populares etc. Portanto, o tema Bahia e o filme ser feito aqui, com atores daqui não me levariam a gostar, por isso, do filme. Entretanto, o filme é muito bom. A história é muito atual. Traduz como Jorge Amado mostrou ,de forma muito competente, a beleza e a humanidade do povo pobre e excluído com um bom humor que só os grandes escritores conseguem ter. Como Jorge amado tem a habilidade de  mostrar a injustiça e o ridículo dos poderosos, enfim, isso foi revelado no filme de forma exemplar com imagens muito bem dirigidas, com uma trilha sonora muito boa. A diretora e toda a equipe são muito bons. Gostei de tudo. Nada a reclamar. O  filme, que já é um sucesso de público. Não sei se de crítica porque não costumo ler as críticas de cinema. O que eu sei é que  gostei muito e recomendo ser visto porque quem gosta de cinema e não de espasmos intelectuais, muitas vezes chatos e incompreensíveis, de algum geniozinho da moda que só são supostamente apreciados pelos que só vão ver, fantasiados, na maioria das vezes, com a moda alternativa da época, para sugerirem, com gestos vagos e caras e bocas, que são intelectuais. Eu não suportava ver filme brasileiro. Um ou outro me agradava. Algumas comédias  como O Homem dos Sputnik  e alguns esporádicos como os baseados em Nelson Rodrigues, mas agora os vejo com o mesmo prazer e, muitas vezes, até mais do que os vindos de outros países. Mas repito: arte para mim não tem, a priori, nacionalidade nem autor ou ela me  proporciona  prazer ou não considero arte. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Seminário A ERA DO PANÓPTICO


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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

No final do Séc. XVIII o filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham concebeu pela primeira vez a ideia do panóptico. Para isto Bentham estudou “racionalmente”, em suas próprias palavras, o sistema penitenciário. Criou então um projeto de prisão circular, onde um observador poderia ver todos os locais onde houvesse presos. Eis o panóptico.

Ele também observou que este mesmo projeto de prisão poderia ser utilizado em escolas e no trabalho, como meio de tornar mais eficiente o funcionamento daqueles locais.

Foi naquele período da história que, segundo o francês Michel Foucault, iniciou-se um processo de disseminação sistemática de dispositivos disciplinares, a exemplo do panóptico. Um conjunto de dispositivos que permitiria uma vigilância e um controle social cada vez mais eficientes, porém, não necessariamente com os mesmos objetivos “racionais” desejados por Bentham e muitos de seus antecessores e contemporâneos.

Dos anos 60, do Séc. XX, quando Foucault escreveu suas primeiras obras, até o início do Séc. XXI, novas tecnologias de comunicação e informação surgiram, permitindo novas formas de vigilância que por vezes se tornam tão dissimuladas que não são facilmente percebidas pelos indivíduos. Tornam-se também naturalizadas, não deixando claros todos os objetivos de quem se utiliza daquelas novas técnicas de vigilância.

Nestes novos tempos a vigilância também vem adquirir uma nova característica. A possibilidade de observação de todos sobre todos. Hoje é possível ao patrão ler mensagens de correio eletrônico de seu empregado, mas também existe a possibilidade de colegas lerem mensagens de colegas, maridos de esposas, pais de filhos, a partir de ferramentas gratuitas disponíveis na Internet, por exemplo.

Empresas conseguem, a partir de celulares, monitorar o local onde se encontram seus empregados. Governos e crackers podem, com o instrumental adequado, ter as informações bancárias de qualquer cidadão, a partir de banco de dados individuais (como aqueles referentes a antiga CPMF, por exemplo) e câmeras digitais vigiam cada metro quadrado de aeroportos.

O panóptico se disseminou. E como afirmou enfaticamente em meados dos anos 90 outro filósofo francês, Gilles Deleuze, isso gerou a criação de uma Sociedade de Controle.

É a partir deste quadro que acontecerá dias 14 e 15 de Outubro o SEMINÁRIO A ERA DO PANÓPTICO, no Auditório do PPGEduC, da UNEB - Cabula - Salvador - Bahia.

Programação:

Dia 14 de Outubro (Sexta-Feira).
14:00 horas – Abertura – Eduardo Nunes (PPGEduC).
14:30 horas – André Lemos – Mídia Locativa e Vigilância. Sujeito Inseguro, Bolhas Digitais, Paredes Virtuais e Territórios Informacionais.
15:30 horas – Ana Godoy e Nildo Avelino – Educação, Meio Ambiente e Cultura: Alquimias do Conhecimento na Sociedade de Controle.
16:30 horas – Debate.
17:00 horas – Lançamento da 2ª Edição do Livro “Do governo dos vivos” de Michel Foucault, Organizado por Nildo Avelino.
Dia 15 de Outubro (Sábado).
09:00 horas – Abertura.
09:30 horas – Carlos Baqueiro – O Blog A Era do Panóptico: Pesquisa e Resistência à Sociedade de Controle.
10:30 horas – Ricardo Liper – A Sociedade Orwelliana em 1984.
11:30 horas – Debate.
12:00 horas – Encerramento do Seminário.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Olhem o que eu achei no "Jornal da Mídia"!



O governador recebendo o ferry "Ivete Sangalo", aquele que fica sempre à deriva toda vez que é posto para navegar. Seria cômico não fora trágico...

O que é que o Governo do Estado ainda está esperando para fazer uma intervenção na TWB, a empresa paulista que opera o sistema ferryboat? Está esperando que aconteça uma tragédia?

Esses eram os principais questionamentos que se ouvia ontem Terminal Marítimo de São Joaquim, que registrou um final de tarde e início de noite tumultuado.

Somente um ferry funcionando. Gente esperando há quase seis horas para embarcar. Penando na fila.

De repente, a confusão estoura. Os usuários resolveram arrombar os portões. Corre-corre, polícia acionada e ninguém conteve a multidão, que invadiu o ferry "Anna Nery", que estava parado e sem autorização para navegar por decisão de uma empresa classificadora, que detectou várias pendências na embarcação.

Por muito menos que isso, em 2004, o então governador Paulo decretou intervenção no sistema ferryboat, que era operado pela Kaimi, sucessora do consórcio paulista Comab.

A TWB já tem seis anos na Bahia.

Quatro anos e meio somente no governo Wagner e fazendo o que quer. O serviço é cada vez mais ordinário. Mesmo assim, a concessionária também paulista costuma encostar o governo na parede. Quando a crise piora, é porque a TWB quer alguma coisa. E o governo sempre cede.

Sempre foi e assim continua sendo na relação TWB-Governo Wagner.

A TWB foi expulsa de São Paulo pelos péssimos serviços que prestava na travessia Santos-Guaruja. E infelizmente aportou na Bahia para maltratar e humilhar a população.

A Agerba, a agência que ''fiscaliza'' a TWB, se esconde. Comenta-se que o diretor-executivo Eduardo Pessoa ''quer tomar'' medidas mais duras contra a concessionária, mas não consegue. Sempre recebe a famosa ''ordem superior'' para parar.

Até quando esse caos no sistema ferryboat vai continuar, só Deus sabe.

Triste Bahia! Terra de Todos Nós!

* resolvi postar esta notícia do "Jornal da Mídia" (para quem não conhece, acesse www.jornaldamidia.com.br, é o que temos de mais parecido com jornalismo na Internet baiana - muito bom!), porque soube que hoje a travessia Salvador-Itaparica amanheceu com UM BARCO apenas. 


toNy PaCheco

Por que não se recupera a BA-001?

Olha a situação da BA-001 que liga Salvador ao Sul do estado...




tony Pacheco


Em setembro, fiz a bobagem de postar aqui uma homenagem à suposta competência do secretário de Infraestrutura do governo Wagner, o ex-carlista Otto Alencar. Aí, os internautas, geralmente mais bem informados do que eu, chamaram a minha atenção para o seguinte:
1. O vice-governador e secretário da Seinfra é o responsável pela Agerba, que, por seu turno, é quem está por trás do descalabro que é o sistema ferry-boat neste governo. Um sistema que na administrações carlistas chegou a ter oito ferries navegando ao mesmo tempo e no auge tinha um navio norueguês gigantesco que pegava três vezes a quantidade de veículos que estas "muquecas" atuais pegam. Pois na administração de Otto Alencar à frente da Seinfra tem dias em que navegam apenas dois ferries e já teve dia de ter apenas um.
2. O DERBA, responsável pelas estradas estaduais, também é subordinado a Otto Alencar, como a Agerba, e é inexplicável a situação em que deixou ficar as rodovias sob sua responsabilidade. Inexplicável porque enquanto no seu primeiro governo Wagner construiu a ligação entre Camamu e Itacaré, com uma estrada ecologicamente correta, a continuação desta rodovia, que vai de Camamu a Valença, de Valença a Nazaré das Farinhas e de Nazaré à Ilha de Itaparica, ficou TOTALMENTE ABANDONADA. São pouco mais de 100 km e é o portal turístico de entrada da capital baiana. Contudo, a Seinfra deixou a estrada chegar num estado de calamidade pública que dá enormes prejuizos aos proprietários de automóveis, ônibus e caminhões.

E NO PLANO FEDERAL...

E em se tratando do plano federal, onde mais de 70% das BRs encontram-se em situação ruim a péssima, se dá o mesmo que na Bahia. O PT, tanto nos governos de Lula quanto na administração atual de Dilma Rousseff, se recusa a assumir a infraestrutura. Sempre entrega este setor que é de fundamental importância para o desenvolvimento do País para partidos fisiologistas. Aliás, o mesmo que também Fernando Henrique, do PSDB, fez. FHC colocou um indivíduo chamado Padilha para comandar a infraestrutura de transporte. Vá ao Google e veja o que este rapazinho fez...
Lula colocou nas mãos do mesmo grupo a infraestrutura, para continuar o descalabro e depois passou para o tal PR, o partido que nos deu o Nascimento, o ministro que Lula legou a Dilma e esta não aguentou o peso e demitiu. Demitiu, mas colocou em seu lugar o sujeito que trabalhava com o próprio Nascimento. E os portos, aeroportos, ferrovias e rodovias continuam em ritmo ugandense...
Resumo da ópera, o PT gosta mesmo é de ministério que tenha muitos recursos financeiros e nenhuma tarefa administrativa de monta, para não ser cobrada a sua competência. Infraestrutura tem muito dinheiro, mas tem que mostrar RESULTADOS, aí, o PT passa para os partidos da "base aliada".
É por aí... Ou não?

sábado, 8 de outubro de 2011

Steve Jobs: Nosso Herói ?

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Eu tava agora aqui, depois dos times baianos terem se desbundado pra empatarem com seus adversários, pensando no porquê de quererem transformar Steve Jobs num herói.

É um tal de elogio prá lá, elogio prá cá. E o cara é o gênio nisso, e é o gênio naquilo. Construiu o Apple I, há não sei quantos anos atrás. Fez Ipod, fez IPad... E a gente fica até emocionado com a emoção de jornalistas como Sandra Annenberg, ou William Bonner.

Será que a causa da morte dele tem a ver com essa unânime comoção por Jobs ? Putz. Morrer aos 56 anos de câncer de pâncreas é dose mesmo. Acho que dá uma dor no coração de todo mundo quando vemos alguém sofrer por uma doença dessa.

Mas não foi só isso. A construção do heroísmo de Steve Jobs me parece ter outros motivos. Criar um herói capitalista. Prá mim é isso. Ele foi sim o danadinho do empreendedorismo. Afff... fico com essa palavara na cabeça desde que me forçaram a assistir aulas de uma matéria chamada “Empreendedorismo” lá no 3º semestre do curso de jornalismo.

O sujeito é a cara do sucesso que o espírito capitalista diz estar esperando por todos nós. Ele desenvolveu um bocado de coisas na cabeça, construiu uma porrada de bugingangas e ficou rico. Daquele jeitinho dele, com calça jeans, e camisa preta, mas ficou rico. E acho, com sinceridade, que é a isso que o discurso da Grande Mídia (e das pequenas também) homenageia.

Tá me parecendo uma homenagem global e unânime. E como bem se sabe, toda unanimidade é burra. Como diria o amigo do General Médice, Nelson Rodrigues.

Jobs tinha uma visão capitalista do mundo e, vamos e convenhamos, só deveríamos idolatrar um sujeito como ele se fóssemos intransigentemente a favor do capitalismo.

Lembro do dia em que vi a imprensa toda elogiando a criação do IPod... eu fiquei abismado com tamanha propaganda em cima de um equipamento que aparecia para tentar diminuir as perdas da indústria fonográfica com a pirataria.

Nossa. Agora me lembrei de coisa mais antiga ainda. Poucos aqui devem conhecer um computador chamado MSX que viria para tentar criar um padrão de aparelhos. O MSX parecia ter a função de baratear os computadores com o uso da mesma tecnologia para todos os aparelhos.

Quem disputava a hegemonia com o MSX, mas sem o princípio de compatibilidade e de barateamento ? A Apple, de Jobs, é claro. Os “princípios” capitalistas empurraram a idéia do MSX para o abismo mais fundo que se pudesse ir. E a Apple e a IBM, junto com as grandes corporações do Extremo Oriente, enriqueceram.

São as grandes empresas de informática e seus proprietários e diretores que estão hoje loucos para destruir a insipiente "democracia" que existe no mundo da Internet. Não me surpreenderia se soubesse que a Apple estivesse envolvida em lobbies para mudar as leis norte-americanas em detrimento da liberdade de expressão na Internet (ou de um maior controle sobre o que se expressa nela).

Se nós, que as vezes nos caracterizamos como de esquerda, queremos homenagear alguém que já morreu vamos procurar melhor. Eu, por exemplo, homenagearia Mikhail Bakunin, pelo simples fato de que ele percebeu o que seria a ciência a partir do Seculo XIX. Fez suas críticas e mostrou o que para ele seria o melhor para todos:
É preciso que a ciência não permaneça mais fora da vida de todos, tendo por representante um corpo de cientistas diplomado; é necessário que ela se fundamente e se dissemine nas massas. A ciência, chamada doravante a representar a consciência coletiva da sociedade, deve realmente tornar-se propriedade de todo mundo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Filmes que não merecem sua grana

Taylor e Sigourney: ela, e só ela, vale uma visitinha ao filme.


tOnY PACheco


Chega o fim de semana e todo mundo só quer dar dicas para o lazer da galera. Resolvi, neste fds, dizer aonde você não deve ir para não perder dinheiro e a paciência:


1) "O Zelador Animal". Comédia com o chatíssimo Kevin James. Em cartaz numa cacetada de cinemas de Salvador. O sujeito é insuportável e não tira risada da gente nem com fórceps. Aí um amigo me disse: "mas ele é  igual Os Trapalhões, criança gosta" e eu respondi: criança oligofrênica.


2) "O Filme dos Espíritos", com Nelson Xavier. Olhe, você eu não sei, mas eu já tô de saco cheio de filmes sobre espiritismo, mesmo com todo o respeito que tenho pelos espíritas. Mas, já deu, né não?


3) "Bahêa Minha Vida". Olhe, o livro do Jahia de meu amigo Ruy Guimarães Botelho eu tive que engolir (e comprar dois, imagine!, porque tive que dar um de presente), se não ele me receitava alguma coisa para me despelar, mas um documentário... Tenha dó!


4) "Amizade Colorida", comédia romântica com Mila Kunis e Justin Timberlake. Chatinho, chatinho, o filmeco deve ter tido um diretor de cast que está sob o comando de Timberlake, pois ele é infinitamente mais bonito que a menina e fica todo o tempo em closes do seu corpicho. Só para gays apaixonados por Timberlake, que é bom cantando, mas interpretando...


5) "Sem Saída", com o lobisomem de "Crepúsculo" Taylor Lautner. Só vale se você gostar muito de Sigourney Weaver, que faz uma ponta no filme. Esta mulher é totalmente demais. Mas, pela história (repetitiva - você sente que já viu aquilo tudo em algum lugar...), passe longe. A cena do pai preocupado com o filhinho lobisomen (neste filme ele não é, mas parece kkkkk). Desde os primeiros minutos você já sabe como vai terminar. Tudo previsível.


6) "Conan, O Bárbaro", com Jason Momoa. O ator havaiano tem tudo para ser um digno sucessor de Arnold Schwarzenegger no papel do guerreiro, mas não aconteceu nesta primeira refilmagem. Excesso de efeitos de bruxaria de boutique tiraram todo o pique da história. Os deuses da Ciméria ficaram tão putos que as salas de cinema estão vazionas. Bem feito!


7) "Meia-noite em Paris", de Woody Allen. Eu não queria falar mal deste maluco, porque sou fã da maior parte da obra dele. Mas este filmezinho pretensioso eu não consegui engolir. Cheio de citações. Parece mais um roteiro turístico de Paris. Aliás, parece, não: é um roteiro turístico. Se você é barão e está indo para Paris, assista para ver lugares descolados, porque, pela história, ai ai!


8) "A Árvore da Vida", a compilação de imagens do Discovery Channel cheia de baboseiras religiosas, que chegou a ganhar prêmio em Cannes continua em cartaz. Agora, na Sala de Arte do Museu, ali da Vitória. Vá lá, coma um pedaço de torta (uma delícia) e se pique antes do filme começar. Tem coisa melhor na vida a fazer num fim de semana.



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ministério Público investiga escorcha das montadoras de carros


tOnY pAcHecO

Este carrinho é fabricado aqui e vendido no México quase pela metade do preço que pagamos 


ESCORCHA
Os mexicanos têm salários semelhantes aos nossos, mas pagam a metade do preço por carros fabricados por nós mesmos.


Frase:

"A responsabilidade social da empresa é maximizar seus lucros." (Milton Friedman ridicularizando quem pensa em capitalismo socialmente responsável) 


Os carros, o MPF e a demora para acordar

Finalmente, o Ministério Público Federal acordou para um problema que vem sendo denunciado pela mídia há, pelo menos, 20 anos. Os preços de produtos manufaturados no Brasil é, sempre, duas ou três vezes mais caros que nos EUA, onde os salários são duas ou três vezes maiores que os nossos. Isto é, ganhamos menos e pagamos mais.
Mas não é só nos EUA, um carro Volkswagen Jetta, no México, custa o equivalente a R$40 mil, enquanto que o mesmo carro, no Brasil, parte de R$66 mil. Ou seja, R$26 mil a mais: daria para comprar um Jetta e um Gol. Os tolos dirão: são os nossos impostos. Nanananinha! O ex-presidente Lula fez um acordo com o México para não cobrar imposto de importação dos carros mexicanos em troca de os nossos carros entrarem lá sem pagar impostos. Portanto, esqueçam impostos.
Agora, em relação aos EUA é pior. Um Ford Focus lá custa R$26 mil e, no Brasil, R$53 mil. Mais que o dobro.
Mas isto nunca foi novidade, repete-se também com iPad, TV de LED e uma infinidade de itens. A ganância maior, contudo, sempre foi das multinacionais dos carros. Nos anos 1990, quando nós (Alex Ferraz e Tony Pacheco) éramos co-editores do caderno “Lazer&Informação” de “A Tarde”, pedimos a um familiar do colega Eliezer Varjão, que morava nos EUA, que fizesse a comparação de preços e publicamos reportagem-denúncia sobre isso: há 20 anos. E só agora o MPF despertou. Huuummmmm!!!

Antes tarde
do que nunca
Mas, como diz Sigmund Freud, o mundo é como é, achar que ele vai acompanhar, sempre, a velocidade de nossa mente é alimentar uma neurose. Então, ficamos felizes de que finalmente as autoridades brasileiras vão ter que se manifestar sobre o escândalo que é a ganância das nossas montadoras de automóveis.
Vamos ver no que vai dar...

Problema é
o lobby
Como a ganância das montadoras envolve milhões e milhões de dólares e como o MPF deu 180 dias ao Ministério da Fazenda para se manifestar, aguardem lobbies gigantescos para explicar o inexplicável.
Vai aparecer autoridade e jornalista dispostos a defender a escorcha da classe média brasileira como nunca se viu antes neste País. Aguardem...



* Os textos acima foram publicados, hoje, na Tribuna da Bahia, por conta dos dias que substituí Alex Ferraz. Mas vejam, abaixo, que este assunto é recorrente em nossas preocupações. No nosso blog anterior, já denunciávamos isso há mais de dois anos.




BRASILEIRO É O CONSUMIDOR-PALHAÇO
(publicado no blog OsInimigosdoRei em 15.07.2009)






Este é o Golf brasileiro. Fabricamos e mandamos para o Canadá. Aqui ele é vendido a 56 mil e lá a 28 mil. 

Dossiê - AUTOMÓVEIS

Em outras duas oportunidades aqui no blog, provei com dados dos sites estrangeiros das montadoras também estabelecidas no Brasil que nós pagamos o dobro e até o triplo do valor que mexicanos, americanos e outros povos pagam pelos mesmos automóveis que nós também consumimos.
Só faltava pesquisar por quanto chegam os veículos fabricados aqui e que são vendidos no exterior.
Aí vi que o Golf brasileiro é o mesmo vendido no Canadá. É fabricado aqui e vendido lá, pagando impostos locais e um frete marítimo caríssimo. Por lá ele é chamado de Golf City. O preço no Canadá (que não inclui ar-condicionado de série, como no modelo brasileiro, mas, sim, o motor 2.0, em vez do nosso fraco 1.6, toca CD com MP3, airbags e ABS de série) é de 15,3 mil dólares canadenses. Isso dá mais ou menos R$ 26,4 mil em nossa moeda. Se juntarmos a esse valor os 1.350 do ar-condicionado, chegaremos a 16,65 mil dólares canadenses, mas lá o ar é até inútil, pois o Canadá é um país gelado a maior parte do ano. Mas, mesmo com o ar-condicionado dá, em reais, cerca de R$ 28,71 mil.
O mesmo carro que nós fabricamos e mandamos para o Canadá e chega lá por 28 mil reais para os canadenses, no Brasil custa, para nós, R$ 56,39 mil. O dobro.
Estes somos nós: os consumidores-palhaços, que não elegemos um deputado, um senador, ninguém que defenda nossos interesses contra as multinacionais sanguessugas que vendem tudo mais caro a nós, mesmo sabendo que nossos salários são dos menores do mundo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Multiculturalismo? Não, estou fora!

toNy pachEco

Segundo amigos que fugiram do desemprego no Brasil e foram para a Europa e agora estão voltando, a principal discussão filosófica entre a população (intelectuais ou simples pessoas do povo), é o multiculturalismo. Em bom Português: o respeito à diversidade de cada cultura humana. E mais simplório ainda: se um árabe corta o clitóris de sua filha, logo ao nascer, para ela não ter prazer clitoriano, deveríamos “respeitar”, é do “ethos” do modo árabe de ser.
Nesta semana, vimos o rei da Arábia Saudita (as mulheres preferem Arábia Maldita...) dizer que a partir de 2015, tolerará que as mulheres tenham direito de votar e serem votadas. Coisa que no Ocidente começou a ser efetivada ainda no séc. XIX, na Nova Zelândia, e depois em 1918, na Inglaterra. Mas não sem muita luta: a morte de Emily Wilding Davison, em 1913, que se jogou para ser pisoteada pelos cavalos da carruagem do rei George, despertou britânicos e todo o Ocidente para o absurdo da misoginia. Naqueles tempos, nós ocidentais sofríamos o auxílio luxuoso das igrejas cristãs que justificavam o preconceito contra a mulher na política. Os muçulmanos parecem não entender que o principal problema deles em relação à adoção de princípios democráticos é, justamente, a sua religião machista totalitária. No Ocidente a religião foi obrigada a se afastar do Estado e até hoje esperneia, mas é controlada para não nos levar às fogueiras medievais novamente ou às chicotadas nas mulheres, como fizeram os sauditas nesta semana.

Muita gente
não sabe
Em boa parte dos países islamitas, mulher não pode escolher o marido. Mulher não pode fazer faculdade ou dirigir um carro. Não vota ou pode ser votada. Se trair o marido é apedrejada em praça pública.  Pelo multiculturalismo, temos que “respeitar” isso, o que é intolerável.

“Primavera” com
jeito de Inverno
E nos países que estão vivendo movimentos contra tiranos, na chamada “Primavera Árabe”, como Tunísia, Marrocos, Líbia, Egito, Síria e Yemen, os revoltosos querem, por incrível que pareça, o fim dos “privilégios” que as mulheres já conquistaram. Querem que a “Sharia”, a lei muçulmana, volte a valer e as mulheres vistam burca.
Você respeitaria isso, leitor?

A Turquia
e a Europa
A Turquia tem tentado entrar na União Europeia há décadas. Pelos multiculturalistas, ela “enriqueceria” o espaço de tolerância do Velho Continente. Mas a realidade é que a Turquia vive, hoje, um renascer do movimento fundamentalista islâmico e muitas mulheres turcas já estão sendo obrigadas a abrir mão de seus direitos.
Por isso, a Suíça proibiu minaretes em seu território...


terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Atualidade do Anarquismo

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Mario Rui Pinto (de Portugal, com exclusividade)

Nunca o anarquismo foi tão actual. Esta frase pode parecer inconsequente, escrita por quem acredita num conjunto de ideias minoritário, ou mesmo inexistente em muitas partes do globo terrestre. A sua força actual para influenciar movimentos sociais ou correntes de opinião é praticamente nula, mesmo em Estados onde, no passado, chegou a ter alguma capacidade de mobilização popular. E no entanto…

O capitalismo evoluiu de forma muito diferente dos escritos de Marx e a transformação do mundo tem sido muito mais complexa do que ele previa. Muito provavelmente, o capitalismo não há-de acabar devido aos efeitos de uma grande crise final motivada por contradições internas. Bem pelo contrário, o capitalismo tem aproveitado todas as suas pretensas crises para intensificar o seu grau de exploração sobre os indivíduos. E isto porque, ao contrário do que a classe dominante proclama hoje em dia, não há crises no capitalismo É o capitalismo que é a própria crise.

Não por acaso, também o “papel da classe operária” na transformação de toda a organização social acabou por ser muito diferente do que Marx previu, no fundo limitando-se a ajudar na construção de uma sociedade ainda mais opressiva e integrando-se plenamente no Estado e no sistema tecno-industrial.

A sociedade actual inflige inúmeros estragos ao ser humano, materializados em desigualdade, opressão, pobreza, injustiça, angústia, tensão nervosa, etc. e estragos ao meio natural, como, por exemplo, abate de florestas substituídas por construção, desaparecimento de espécies vegetais e animais, poluição do ar e da água. O progresso tecnológico provocou profundas alterações na sociedade e na biosfera. Esta modificação tem por consequência a desestabilização da vida no planeta que é cada vez mais nefasta. O que nos revela, pois, o presente?

Revela-nos, em primeiro lugar, que a sociedade actual não é justa, nem é pacífica a sua relação com a natureza. O Estado e o sistema tecno-industrial, essência e armadura da classe dominante da nossa época, gera a domesticação pelo capital dos seres humanos e a destruição da natureza, como resultado do espírito de lucro de alguns à custa do trabalho forçado de muitos; mantém e fomenta a opressão do dominado como consequência do uso do direito do dominante; torna o ser humano cada vez mais abstracto, deixa de ser um ser da natureza para se tornar um ser da tecno-indústria, logo do capital; conserva sem questionar uma fé cega no progressismo científico e técnico.

Revela-nos, em segundo lugar, que este sistema produz muitos estragos muito rapidamente. Engendra guerra com armas cada vez mais destrutivas; energia nuclear e o decorrente lixo atómico; poluição de diferentes tipos; aquecimento climático acelerado; desenvolvimento das cidades e urbanização do campo; envenenamento dos recursos naturais; aniquilamento da biodiversidade; substituição possível ou provável dos seres humanos por máquinas inteligentes; manipulações genéticas dos seres vivos; dominação das grandes organizações e impotência dos indivíduos; propaganda e as diversas técnicas de manipulação psicológica; problemas psíquicos da vida moderna, etc. Tudo isto tem por consequência um maior controlo e vigilância de todos os indivíduos, uma submissão ainda maior aos imperativos técnicos.

Finalmente, revela-nos, em terceiro lugar, que este sistema engendra um cada vez maior empobrecimento de cada vez mais indivíduos, em contraste directo com o enriquecimento desmesurado de apenas alguns; a perda de saberes elementares para uma vida autónoma; a destruição ou a apropriação capitalista dos elementos que a natureza oferecia ao ser humano gratuitamente.

Mas para quem é anarquista nada disto é novo. Há mais de cem anos que os anarquistas apontam e denunciam os perigos e males desta sociedade e para onde ela nos conduz. O consumismo, a ganância, o lucro, a irracionalidade produtiva estão a conduzir esta sociedade ao esgotamento de recursos naturais não reprodutivos, situação que poderá pôr em causa o futuro das próximas gerações. Para se reproduzir, o capitalismo precisa de desenvolvimento contínuo, acelerando este processo até à exaustão. Ora isto é incompatível com uma vida sustentável a longo prazo.

As soluções tradicionais de expressão política nas sociedades ditas democráticas – o voto, os partidos, os sindicatos – estão cada vez mais desacreditadas face não só à sua incapacidade para encontrar soluções, como mesmo à sua conivência com formas de exploração capitalista, corrupção e nepotismo. Neste momento, o Estado e o sistema político que o sustenta, são os principais garantes do capitalismo, sendo muito ténue a fronteira que os separa. Não foi por acaso que, no início da mais recente “crise”, todos os governos vieram em auxílio do sector financeiro – precisamente o sector apontado como seu principal responsável – negligenciando por completo falências de empresas que conduziram milhares de trabalhadores ao desemprego.

O que se passa hoje em dia em alguns estados europeus é que este cenário já foi compreendido, com um maior ou menor grau de consciencialização, por alguns estratos da população, sobretudo aqueles de onde a luta tem de partir: desempregados; marginais por escolha própria; minorias perseguidas pela moral dominante; jovens que tendem a recusar, mesmo que temporariamente, o tipo de vida que os espera; movimentos e associações de indivíduos que, de uma forma não-hierárquica, lutam contra os projectos tecno-industriais; indivíduos e grupos que praticam uma vida simples, denunciando o consumismo e o produtivismo e rejeitando a vida complexa e doentia das áreas altamente urbanizadas; trabalhadores contrariados, que já compreenderam que a sua emancipação não está no aumento de trabalho ou na reivindicação de um pleno emprego estúpido, destrutivo e envelhecedor, mas na superação de uma sociedade que lhes impõe a escravidão assalariada produtora de objectos muitos deles inúteis; movimentos de mulheres que já perceberam que o verdadeiro feminismo não é ter direito a voto, nem ter o direito de ser tão ou mais explorada que o homem no mercado de trabalho.

Ficam de fora os grupos, inclusive de trabalhadores, que estejam muito integrados no mundo tecno-industrial e enquadrados por organizações sindicais e/ou partidos políticos. Estes grupos, aparentemente de «oposição» ao sistema ou mesmo «revolucionários», continuam a entender os problemas em função da situação económica e social do início do século XX, sem compreenderem os novos problemas. Até ao dia em que tiverem uma nova tomada de consciência, estes grupos estão de tal maneira enquadrados no sistema, são de tal maneira manipulados pelas elites político-sindicais, que ainda não conseguiram perceber que as suas reivindicações e lutas parciais fazem parte do próprio sistema e é utilizado por este na sua estratégia de exploração. Em Portugal, por exemplo, perante a promulgação pelo actual governo “socialista”(*) de um novo pacote de medidas ditadas “pelos mercados” e que só irá aumentar o empobrecimento generalizado e a taxa de lucro do capital, respondeu a central sindical mais importante – Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical, mera correia de transmissão do Partido Comunista – com uma greve geral de 1 dia para que, nas palavras do seu secretário-geral, “seja dada alguma coisa aos trabalhadores e eles não venham para a rua, porque a rua não negoceia”.

As lutas que já se desenvolvem, por motivos vários, nas ruas da Grécia, de Itália, de Inglaterra, de Espanha ou de França são sinónimo de que, apesar destes grupos ainda serem fortemente minoritários, começaram a pôr em prática formas de luta sem compromissos, de acção directa, não-hierárquicas, ou seja, formas de luta libertárias, e que, como tal, escapam ao controlo de partidos, de sindicatos, da ordem estabelecida, e já arrastam com eles sectores menos activistas da população.

Apelidando estas lutas e os seus protagonistas de “terroristas”, metendo-as no mesmo saco do radicalismo islâmico ou meramente político, o Estado intensificou, como nunca antes o fizera, todo um processo securitário de controlo dos cidadãos. A desculpa do terrorismo tem servido ao Estado para criminalizar lutas e movimentos radicais, ou simplesmente de mera contestação a opções político-económicas lesivas dos interesses das populações, como o comboio de alta velocidade, por exemplo. Para isto, tem contado com a ajuda da presença omnipresente de alguns meios de comunicação, como a televisão, e de alguns jornalistas que são meros transmissores de fontes policiais ou dos interesses do capital. No entanto, como sabemos, nunca houve pior terrorismo que o terrorismo de Estado. Desde que existe, que o Estado tem ao seu serviço todo um aparelho político-repressor constituído por polícias, exércitos, tribunais, prisões, campos de concentração, hospitais psiquiátricos, etc.

Com este cenário de fundo, verifica-se que, de todas as “ideologias” alternativas, apenas o Anarquismo continua a opor-se ao Estado e ao capitalismo, tornando-se no único conjunto de ideias que não parou no tempo e que manteve as suas respostas coerentemente alternativas e actuais.

Umas linhas finais para sublinhar que utilizei sempre a palavra Anarquismo para facilitar a escrita, porque a palavra correcta seria Anarquismos. Na minha opinião, não há apenas um anarquismo, mas uma pluralidade de expressões deste anarquismo do qual ninguém é proprietário. Passa também pela nossa capacidade de aceitar estas diferenças e por esta pluralidade de expressões, o conseguirmos ser uma alternativa consistente e actuante à triste realidade que nos rodeia e esmaga. Não pode haver um anarquismo, mas vários anarquismos. Estes devem ser a expressão e a vontade genuína da sensibilidade e da liberdade de cada indivíduo e de cada grupo.

(*) Quando o texto foi escrito Portugal ainda era governado pela esquerda. Se é que faz alguma diferença.