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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

E os ratos passeiam pelo Senado



Alex Ferraz

Poucos brasileiros contiveram o riso diante da notícia mais piada pronta da semana passada: o Congresso está infestado de ratos e um deles mordeu um funcionário da Casa.

Dizem que, ao saber da mordida, alguém de lá de dentro teria perguntado: “Quem mordeu quem?”

Comenta-se também que o comando do Senado pretende contratar um exterminador de pragas para acabar com os ratos e, no dia da ação, os senadores serão dispensados, pois alguns correriam o risco de cair nas ratoeiras.

Pensando bem, essas piadinhas são politicamente incorretas. Sim, pois acabamos ofendendo os direitos dos pobres roedores, cuja fama de larápios deve-se tão somente ao fato de furtarem alguma comida para se manter vivos. Pelo que se sabe, ratos (os bichos, mesmo) não surrupiam dinheiro alheio, não fazem armações ilimitadas para locupletar-se enquanto as ninhadas morrem em inundações e sem assistência veterinária, não traem, enfim, seus semelhantes.

Então, concluímos, os ratos têm dignidade a toda prova, o que, infelizmente, não se pode dizer de alguns políticos (como sempre, ressalvado as honrosas exceções de praxe).

Só não podemos colocá-los para vigiar queijos, como há homens que não podem jamais ser colocados para fiscalizar o dinheiro público.

Mas, no final das contas, a verdade é que para livrar dos ratos humanos nossas entidades que compõem o poder, acho que o que está faltando mesmo é um grande e eficaz exército de gatos.

Ou muito chumbinho, quem sabe...

(coluna Em Tempo, Tribuna da Bahia)

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