Filmes Comentários

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

NÃO VI PRECONCEITO DA RENAULT. VI DESCONSTRUÇÃO DE PRECONCEITO.

tonY paCheco 

O sujeito que fala de preguiça nordestina fica imediatamente desmoralizado pelo anúncio. E o que trata da lentidão baiana é desmoralizado também pela prontidão do motorista baiano. Vou rasgar meus diplomas de Psicanálise e Jornalismo e vou voltar a estudar, pois acho que desaprendi...

Por favor, usem este link abaixo. No rodapé do link tem os dois anúncios. Peço que confiram se estou totalmente errado ou se este site vejapolitica.com.br é que está forçando a barra.

http://vejapolitica.com.br/index.php/2017/08/29/vergonha-renault-lanca-campanha-preconceituosa-com-o-nordeste/

sábado, 15 de julho de 2017

Os Profissionais do Poder


Peço desculpas por um texto tão grande e sei que muitos poucos o lerão, mas cansei de me perguntarem o que eu acho com a arrumação da casa no Brasil mais uma vez nesse meio do ano de 2017.

Não adianta vocês ficarem indignados. Não adianta pensar que estamos passando em uma grande crise etc etc. Nada é de fato o que está acontecendo. Os profissionais do poder estão defendendo os seus excelentes empregos. O que você também faria e os inveja quando vê as somas que eles fazem negócios. Os partidos são empresas. E empresas que precisam de capital para sobreviver e permiti seus membros que fiquem empregados. E é você que vai pagar tudo isso. Não são só eles mas os que estão também em torno deles que são os parentes até os que formam o partido que vão também, se desempregados, ficarem com bons empregos. Por isso que latem tanto, brigam, chamam até para trocar murros os que são contra aos seus amados partidos e políticos. Não tem diferença entre os partidos. Todos eles são, antes de qualquer coisa, profissionais do poder. E agem da mesma maneira. Você não quer ter um bom emprego?  Eles fazem o mesmo e farão tudo para defender o seu emprego como você faz. É natural. E é isto que você está vendo na televisão nessa pequena crise e arrumação da casa. A solução para isso foi, em países desenvolvidos e com a melhor qualidade de vida hoje, o voluntariado ou um salário semelhante a um emprego que só pode ser o de todo cidadão médio.  E uma rigorosa vigilância para eles não se envolverem com propinas de também empresas que estão lutando para ficarem milionárias e cujo casamento com os profissionais do poder é um casamento perfeito. Quando você não deu para nada e está desempregado se aproximar de um partido é uma boa solução. Leiam as biografias desses profissionais do poder que vai ver que muitos deles que hoje estão milionários  estavam desempregados e com um emprego com um pequeno salário. Não sei se foi só Marx que ficou, dentro de um aquário no século XIX depois de ter lido David Ricardo e Adam Smith, como disse Foucault.  Mas esse equívoco com os partidos levou a queda de quase todos os países que o marxismo assumiu o poder. O economicismo dos que ficaram deslumbrados com a economia politica criada ou desenvolvida por David Ricardo e Adam Smith não correspondeu a realidade. Os libertários focaram assim como Foucault no poder e suas relações e não com a economia politica. Dai não perceberam que esses partidos surgiram para organizar melhor as disputas em sociedades no fim do poder dos reis absolutos. ou seja, do absolutismo. Já os anarquistas perceberam cedo isto e focaram suas lutas, não na economia, principalmente de David Ricardo e Adam Smith, mas como se exerce o poder portando sem partidos e de forma horizontal nas lutas sociais. Tiveram sucesso focando, sem partidos, lutar para mais liberdade levando a democracia a cada vez mais se democratizar. Eles atuaram, em muitos países do mundo, como fizeram as feministas, a eliminação da censura, o amor livre para todos, a diminuição de diferença de rendas entre as pessoas, lutas contra o racismo etc. São lutas horizontais com programas e temas horizontais. São lutas sociais sem profissionais do poder que  vão a reboque querendo mamar nelas também.  Se você pensa que vai melhorar alguma coisa aqui no Brasil não se iluda. Tudo passará e voltará ao que era. A pergunta que lhe faço é: você não faria de tudo para não ficar desempregado e, se sua profissão é ser um profissional do poder, iria deixar de se candidatar e garantir sua profissão? Claro que não. Como você não pode eliminar os médicos, dentistas e todos os profissionais, também não pode eliminar os partidos e os profissionais do poder  que, com seu voto, você os elegem. Se não forem eles serão outros iguais. Portanto eles mesmos, com várias faces, serão eleitos porque os partidos e muitos sindicados são empresas para o exercício dos profissionais do poder que precisam levantar capital (propinas) para ficarem empregados e isto não vai mudar. Passada essa crise todos esquecerão e eles mesmos voltarão para vocês os elegerem e vocês os vão eleger e talvez até nos políticos muitos inteligentes que apostam nos neofascistas, que são muitos, explícitos ou encubados, no Brasil. Não acho nada, não sou nem massa de manobra nem fico vendo esses profissionais defenderem seus empregos. Dou risada quando chega a comédia de baixo nível. E, cá para nós, você não gostaria de ser  um vereador, depois deputado, depois deputado federal, senador e, quem sabe até, presidente da república. Muitos começaram nas escolas quando entraram em um grêmio ou nas universidades em grupos estudantis e entra em contado com os tentáculos de partidos, sindicados e todo tipo de associação onde tem gente esperta para serem carregados pelos os otários ou também espertos que sabem que se o sabichão for eleito ele terá um bom emprego trabalhando pouco em uma dessas empresas do governo. E o resto é silêncio.  Ou minha gargalhada na escuridão. KKKKKKKKKKKKKK. Mas a solução tem sido o que os libertários tm feito: lutas específicas sem partidos, chefes, horizontalmente defendendo a liberdade para todos. Ninguém quer mais ser dominador nem dominado. Todos  só querem ser livres e com rendas semelhantes resultado de seus trabalhos. E isso, meu caro Watson, é o óbvio. Isso é que é ser anarquista e nada mais.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

POR QUE É IMPORTANTE PARA A POPULAÇÃO DE SALVADOR SABER QUANTOS SAEM E QUANTOS ENTRAM NA CAPITAL NOS FERIADÕES?

TONy PACHEco



A quantidade de gente que sai de Salvador em cada festa é uma velha obsessão da mídia: antes do Carnaval, antes do Réveillon, na Semana Santa, no São João. Agora, NUNCA EXISTIU um órgão público, nem da Prefeitura nem do Governo do Estado que tivesse feito, até hoje, um levantamento sério. Nem prefeito nem governador querem mexer, pois isso OS OBRIGARIA A ADOTAR MEDIDAS SEVERAS em torno da quantidade de funcionários públicos que ELES LIBERAM nestes feriadões, DEIXANDO A POPULAÇÃO SEM ATENDIMENTO. Ao admitirem a mentira de que TODO MUNDO SAI DE SALVADOR em época de festas, ficam livres para descuidar do transporte público, do policiamento da capital, dos plantões de socorro médico e de defesa civil, enfim, AFROUXAM TODOS OS SERVIÇOS PÚBLICOS, sem exceção. Mas a verdade que se nota nos bairros da cidade, principalmente nos bairros populares, é que ESTÁ TODO MUNDO EM SALVADOR, saem apenas os mais ricos e os mais pobres ensandecidos, mas a MAIORIA ESMAGADORA fica numa capital ABANDONADA PELOS SERVIÇOS PÚBLICOS ESSENCIAIS. Tiram ônibus de circulação, dão folga a médicos e enfermeiros, a bombeiros e policiais, enfim, a esculhambação de sempre levada à enésima potência. E isso, sem falar na QUANTIDADE DE TURISTAS que chega a Salvador nas mesmas datas: Réveillon, Carnaval, Semana Santa e São João, que também devem ficar estarrecidos como os serviços públicos são desativados pela Prefeitura e pelo Governo do Estado. No afã de agradar os servidores públicos (grandes eleitores), desmantelam os serviços nos feriadões e não atendem aos turistas que chegaram nem à maioria dos soteropolitanos que ficou aqui. E a mídia embarca bonitinha. A imprensa, sem NENHUM PARÂMETRO CIENTÍFICO, vomita estatísticas de quantos saíram de Salvador nas festas e nem sequer se lembra de tentar verificar quantos entraram em Salvador nas mesmas festas. Um caos estatístico, bem ao gosto das "ôtoridades" estaduais e municipais da Bahia. 
Quem fica em Salvador ou quem chega como turista nesta época de feriadões se se envolver em qualquer acidente, tiver problema de saúde ou de segurança, precisar se deslocar, come o pão que o diabo amassou na capital baiana. E vâmo que vâmo!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Alex Ferraz estreou na blogosfera. Acesse e participe.


CORRA PARA VER O FILME "CORRA!" E APROVEITE E SEJA UM CIDADÃO-MODELO E VEJA "O CIDADÃO ILUSTRE"

toNy paCHEco

Ontem, tivemos a oportunidade de frequentar o Circuito de Cinema de Arte de Salvador e, que grata surpresa! Há filmes neste circuito infinitamente melhores que idiotices como "Alien - Covenant" ou "Velozes e Furiosos 8", duas imbecilidades nas quais perdi meu suado dinheirinho. Em "Corra!" (em cartaz no Espaço Itaú de Cinema na Praça Castro Alves) o racismo é tratado de uma maneira que mistura mastodôntica tragédia e pitadas de comédia, mantendo nossa atenção na tela num suspense contínuo. Já em "O Cidadão Ilustre" (Cinema da UFBA, na Faculdade de Educação no Vale do Canela), a reflexão em forma bem humorada é sobre um argentino que ganha o Prêmio Nobel e volta à sua terra natal para ser vítima de uma avalanche de inveja, preconceito, despeito, oportunismo, escorcha, rancores e todos os piores sentimentos que humanos vencedores despertam nos seus conterrâneos. Duas obras primas, cada uma no seu quadrado. Imperdíveis! Ah, em todos os dois cinemas tem lanchinhos superlegais, mas só no Espaço Itaú tem cerveja Heineken hehehehehehhe
Para ver os horários, vá para http://www.itaucinemas.com.br/home/ e http://www.saladearte.art.br/  



sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Poder da Opinião

Ricardo Líper

Sou radicalmente contra qualquer tipo de assassinato. Sou radicalmente contra qualquer tipo de terrorismo e violência. Só acredito na formação de opiniões que mudam mentalidades no consenso e seja internacional. Só acredito que a crítica dos comportamentos autoritários termina por destruir os autoritários. A história tem mostrado isto sempre. Não só com Hitler, Mussolini e Stalin. No meu entender usar em uma guerra, disfarçada ou não, responder com terrorismo só provoca uma rejeição da opinião pública mundial. O mais importante é mostrar o que tem em cada uma das partes que está sendo injusto, cruel e dominador. 
A verdadeira luta se trava nas opiniões. 
O que está ocorrendo no Brasil agora, a importância para mim, foi evidenciar que todos ou quase todos os partidos são como são e poucos sabiam. A desmoralização será eterna com a descrença absoluta de todos. Assim caíram todos os poderosos. Não acredito que manifestações populares que quebram o que encontram pela frente são eficientes. Pode ser, é uma hipótese e digo não sei porque não tenho provas, portanto especulo apenas que podem ser até pessoas visando desacreditar uma manifestação pacifica mudando o foco e o olhar dela por uma causa justa com uma ação de destruição por onde passam. Dando assim que os acusados pela manifestação podem focar nesse comportamento e neutralizar o objetivo da manifestação. 
Nunca se iludam tudo que é sólido desmancha no ar e a qualquer momento. Um pequeno folheto pode destruir uma feroz ditadura. Depende apenas que ele tenha uma argumentação suficientemente forte porque a maioria, que não é ingênua, compreenderá. Assim foi em todos os grandes momentos de enfrentamentos de injustiças de vários tipos em todos os povos e na história. Observem. No fundo no fundo o que tem mudado o mundo tem a força e a eficiência da opinião. E é isso que sempre fiz. A critica evidenciando suas contradições e dominações é muito mais eficiente do que as ogivas nucleares.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

DIA DE LUTO E DE LUTA


1 de Maio – Dia do trabalhador – Dia de Luto e luta

1-de-maio
1º de Maio é dia do TRABALHADOR!
“Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos vozeros arrogantes das instituições que tem aprisionado o mundo do trabalhador! Um dia em que o trabalhador faz suas próprias leis e tem o poder de executá-las! Tudo sem o consentimento nem aprovação dos que oprimem e governam. Um dia em que com tremenda força a unidade do exército dos trabalhadores se mobiliza contra os que hoje dominam o destino dos povos de toda nação. Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e a guerra de todo tipo. Um dia para começar a desfrutar oito horas de trabalho, oito horas de descanso, oito horas para fazer o que nos dê vontade.”
Essa era a convocatória do 1° de maio de 1886, dia em que 5.000 greves com 340.000 grevistas, se espalharam pelos Estados Unidos. Chicago foi palco de muita luta, repressão, mortes e injustiças. É importante resgatar a memória do 1º de Maio e recuperar a história para entender que o Dia do trabalhador não é dia de festas é o dia de lembrar nossos mortos, dia de luta e resistência!
Trouxemos pⒶra voc’s a história do 1º de Maio, como nasceu este dia e porque(m) ele é comemorado. Este pequeno vídeo relata a verdadeira história do primeiro de Maio e como as lutas dos trabalhadores anarquistas conseguiram a redução da jornada, 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer, 8 horas de repouso.
Ao contrário do que os partidos, os sindicatos pelegos, os burgueses e os Estados tentam nos fazer acreditar com seu revisionismo histórico, o primeiro de maio é um dia de origem anarquista, decorrente das agitações pela jornada de trabalho de 8 horas, à qual 5 anarquistas de Chicago deram suas vidas. Há vasta literatura sobre os fatos reais do primeiro de maio, então reproduzimos abaixo um texto sucinto mas bastante informativo.
Maio já foi um mês diferente de qualquer outro. No primeiro dia desse mês as tropas e as polícias ficavam de prontidão, os patrões se preparavam para enfrentar problemas e os trabalhadores não sabiam se no dia 2 teriam emprego, liberdade ou até a vida.
Hoje, tudo isso foi esquecido. A memória histórica dos povos é pior do que a de um octogenário esclerosado, com raros momentos de lucidez, intercalados por longos períodos de amnésia. Poucos são os trabalhadores, ou até os sindicalistas, que conhecem a origem do 1° de maio. Muitos pensam que é um feriado decretado pelo governo, outros imaginam que é um dia santo em homenagem a S. José; existem até aqueles que pensam que foi o seu patrão que inventou um dia especial para a empresa oferecer um churrasco aos “seus” trabalhadores. Também existem – ou existiam – aqueles, que nos países ditos socialistas, pensavam que o 1° de maio era o dia do exército, já que sempre viam as tropas desfilar nesse dia seus aparatos militares para provar o poder do Estado e das burocracias vermelhas.
As origens do 1° de maio prendem-se com a proposta dos trabalhadores organizados na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) declarar um dia de luta pelas oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago, de 1886, que vieram a dar-lhe o seu definitivo significado de dia internacional de luta dos trabalhadores.
No século XIX era comum (situação que se manteve até aos começos do século XX) o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores. Vários reformadores sociais já tinham proposto em várias épocas a ideia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica, pelos realistas no poder.
Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.
Desde a década de 20 do século passado, irromperam em várias locais greves pelas oitos horas, sendo os operários ingleses dos primeiros a declarar greve com esse objetivo. Aos poucos em França e por toda a Europa continental, depois nos EUA e na Austrália, a luta pelas oitos horas tornou-se uma das reivindicações mais freqüentes que os operários colocavam ao Capital e ao Estado.
Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que seguiu, que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas.
Alberto Parsons um dos oradores do comício de Haymarket, conhecido militante anarquista, tipógrafo de 39 anos, que não tinha sido preso durante os acontecimentos, apresentou-se voluntariamente à polícia tendo declarado: “Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou”. Junto com August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Tendo os quatro primeiros sido condenados à forca, Parsons, Fischer, Spies e Engel executados em 11 de novembro de 1887, enquanto Lingg se suicidou na cela. Augusto Spies declarou profeticamente, antes de morrer: “Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje”.
Este episódio marcante do sindicalismo, conhecido como os “Mártires de Chicago”, tornou-se o símbolo e marco para uma luta que a partir daí se generalizaria por todo o mundo.
O crime do Estado americano, idêntico ao de muitos outros Estados, que continuaram durante muitas décadas a reprimir as lutas operárias, inclusive as manifestações de 1° de maio, era produto de sociedades onde os interesses dominantes não necessitavam sequer ser dissimulados. Na época, o Chicago Times afirmava: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”, mas outros jornais eram ainda mais explícitos como o New York Tribune: “Estes brutos [os operários] só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações…”
Seis anos mais tarde, em 1893, a condenação seria anulada e reconhecido o caráter político e persecutório do julgamento, sendo então libertados os réus ainda presos, numa manifestação comum do reconhecimento tardio do terror de Estado, que se viria a repetir no também célebre episódio de Sacco e Vanzetti.
A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o primeiro de maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão.
Segundo o historiador do movimento operário, Edgar Rodrigues, a primeira tentativa de comemorar o 1 de maio no Brasil foi em 1894, em São Paulo, por iniciativa do anarquista italiano Artur Campagnoli, iniciativa frustrada pelas prisões desencadeadas pela polícia. No entanto, na década seguinte, iniciaram-se as comemorações do 1 de maio em várias cidades, sendo publicados vários jornais especiais dedicados ao dia dos trabalhadores e números especiais da imprensa operária comemorando a data. São Paulo, Santos, Porto Alegre, Pelotas, Curitiba e Rio de Janeiro foram alguns dos centros urbanos onde o nascente sindicalismo brasileiro todos os anos comemorava esse dia à margem da legalidade dominante.
Foram décadas de luta dos trabalhadores para consolidar a liberdade de organização e expressão, que a Revolução Francesa havia prometido aos cidadãos, mas que só havia concedido na prática à burguesia, que pretendia guardar para si os privilégios do velho regime.
Um após outro, os países, tiveram de reconhecer aos novos descamisados seus direitos. O 1° de maio tornou-se então um dia a mais do calendário civil, sob o inócuo título de feriado nacional, como se décadas de lutas, prisões e mortes se tornassem então um detalhe secundário de uma data concedida de forma benevolente, pelo Capital e pelo Estado em nome de S. José ou do dia, não dos trabalhadores, mas numa curiosa contradição, como dia do trabalho. Hoje, olhando os manuais de história e os discursos políticos, parece que os direitos sociais dos trabalhadores foram uma concessão generosa do Estado do Bem-Estar Social ou, pior ainda, de autoritários “pais dos pobres” do tipo de Vargas ou Perón.
Quanto às oitos horas de trabalho, essa reivindicação que daria origem ao 1º de maio, adquiriu status de lei, oficializando o que o movimento social tinha já proclamado contra a lei. Mas passado mais de um século, num mundo totalmente diferente, com todos os progressos tecnológicos e da automação, que permitiram ampliar a produtividade do trabalho a níveis inimagináveis, as oitos horas persistem ainda como jornada de trabalho de largos setores de assalariados! Sem que o objetivo das seis ou quatro horas de trabalho se tornem um ponto central do sindicalismo, também ele vítima de uma decadência irrecuperável, numa sociedade onde cada vez menos trabalhadores terão trabalho e onde a mutação para uma sociedade pós-salarial se irá impor como dilema de futuro. Exigindo a distribuição do trabalho e da riqueza segundo critérios de eqüidade social que o movimento operário e social apontou ao longo de mais de um século de lutas.
*Membro do Centro de Estudos Cultura e Cidadania – Florianópolis (CECCA)
1ª de maio por Eduardo Galeano.
“A desmemoria/4
Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor do edifício mais alto do mundo. Chicago está cheia de fábricas, Chicago está cheia de operários.
Ao chegar ao bairro de Haymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.
– Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago na cidade Chicago. Nem estátua, nem monólito, nem placa de bronze, nem nada.
O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos, o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.
Após a inútil exploração de Haymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.
O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.”
Página 115/116, “O livro dos Abraços”.
DIA DE MAIO – DIA INTERNACIONAL DO TRABALHO – A HISTÓRIA
1 de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, comemora a luta histórica da classe trabalhadora em todo o mundo, e é reconhecido na maioria dos países. Os Estados Unidos da América e Canadá estão entre as exceções. Isso apesar do fato de que o feriado começou na década de 1880 nos EUA, ligadas a batalha pela jornada de oito horas , e os anarquistas de Chicago .
A luta pela jornada de oito horas começou na década de 1860. Em 1884, a Federação de Negócios organizada e Sindicatos dos Estados Unidos e do Canadá , organizado em 1881 (e mudando seu nome em 1886 para Federação Americana do Trabalho ) aprovou uma resolução que afirmava que “oito horas constituirão um dia de trabalho legal de partir e após 1 de Maio de 1886, e que nós recomendamos para organizações de trabalho em todo este distrito que eles assim direcionar suas leis como se conformar com esta resolução ” . No ano seguinte, a Federação repetiu a declaração de que um sistema de oito horas era para entrar em vigor em 1 de Maio de 1886. Com trabalhadores sendo forçados a trabalhar dez, doze e quatorze horas por dia, apoio ao movimento de oito horas cresceu rapidamente . Nos meses anteriores a 1 de Maio de 1886, milhares de trabalhadores, organizados e não organizados, os membros da organização Cavaleiros do Trabalho e da federação, foram atraídos para a luta. Chicago foi o principal centro da agitação por um dia mais curto. Os anarquistas estavam na vanguarda do Sindicato Central de Chicago, que consistia de 22 sindicatos em 1886, entre eles os sete maiores da cidade.
Durante as greves da estrada de ferro de 1877, os trabalhadores haviam sido violentamente atacada pela polícia e exército dos Estados Unidos. Uma tática semelhante de terrorismo de Estado foi preparado pela burocracia para combater o movimento de oito horas. A polícia e da Guarda Nacional foram aumentados em tamanho e recebeu armas novas e poderosas financiados por empresários locais. Do Clube Comercial de Chicago comprou uma metralhadora $ 2000 para a Guarda Nacional de Illinois para ser usado contra os grevistas. No entanto, até 1 º de maio, o movimento já havia vencido os ganhos para muitos trabalhadores de Chicago. Mas em 3 de maio de 1886, a polícia disparou contra uma multidão de grevistas no McCormick Harvester Machine Company, matando pelo menos um atacante, ferindo gravemente cinco ou seis outros, e ferindo um número indeterminado. Anarquistas convocaram uma reunião em massa no dia seguinte em Haymarket Square para protestar contra a brutalidade.
A reunião transcorreu sem incidentes, e pelo tempo que o último orador estava na plataforma, a reunião das chuvas já estava terminando, com apenas cerca de duas centenas de pessoas restantes. Foi então uma coluna policial de 180 homens marcharam para a praça e ordenou a reunião a se dispersar. Ao final da reunião, uma bomba foi atirada na polícia, matando um instantaneamente, outras seis pessoas morreram depois. Cerca de setenta policiais foram feridos. A polícia respondeu disparando contra a multidão. Quantos civis foram feridos ou mortos desde bullits polícia nunca foi apurado exatamente. Embora nunca foi determinado que jogou a bomba, o incidente foi usado como uma desculpa para atacar os anarquistas e do movimento dos trabalhadores em geral. Polícia saquearam as casas e escritórios dos suspeitos radicais, e centenas foram presos sem acusação. Um reinado de terror da polícia varreu Chicago. Encenação “raids” nos bairros operários, a polícia arredondado para cima todos os anarquistas conhecidos e outros socialistas. “Faça as incursões em primeiro lugar e olhar para cima a lei depois!” aconselhou publicamente o advogado do Estado.
Os anarquistas, em especial, foram perseguidos, e oito de Chicago de mais ativos foram acusados ​​de conspiração para assassinato em conexão com o bombardeio de Haymarket. Um tribunal canguru encontrados todos os oito culpados, apesar da falta de evidência de ligar qualquer um deles para a bomba-chamas, e eles foram condenados a morrer. Em 09 de outubro de 1886, a revista semanal Cavaleiros do Trabalho publicado em Chicago, realizada na página 1 o seguinte anúncio: “Na próxima semana vamos começar a publicação das vidas dos anarquistas anunciados em outra coluna.”
O anúncio, realizado na página 14, leia-se: ” A história de anarquistas , contadas por eles próprios; Parsons, Spies, Fielden, Schwab, Fischer, Lingg, Engle, Neebe A única verdadeira história dos homens que afirmam que eles são. condenado a sofrer a morte para o exercício do direito de liberdade de expressão : a sua associação com o trabalho, socialista e anarquista Sociedades, seus pontos de vista quanto aos objetivos e objetos dessas organizações, e como eles esperam para realizá-los, também a sua ligação com o Chicago Haymarket caso . Cada homem é o autor de sua própria história, que aparecerá apenas nos “Cavaleiros do Trabalho” , durante os próximos três meses, – o grande papel de trabalho dos Estados Unidos, um de 16 páginas semanário, que contém todas as últimas estrangeira e notícias de trabalho doméstico do dia, histórias, dicas domésticas, etc Um papel cooperativo possuído e controlado por membros dos Cavaleiros do Trabalho , e mobilado para a pequena quantia de US $ 1,00 por ano . Adress todas as comunicações para Cavaleiros do Trabalho Publishing Company , 163 Washington St., Chicago, Illinois ” Ainda este jornal e do papel de alarme publicou as autobiografias dos homens Haymarket.
Albert Parsons, August Spies, Adolf Fischer e George Engel foram enforcados em 11 de Novembro de 1887. Louis Lingg se suicidou na prisão. As autoridades entregue os corpos para os amigos para o enterro, e um dos maiores cortejos fúnebres da história do Chicago foi realizada. Estima-se que entre 150.000 a 500.000 pessoas alinharam a rota seguida pelo cortejo fúnebre dos mártires de Haymarket. Um monumento aos homens executados foi revelado 25 de junho de 1893 no cemitério Waldheim em Chicago. Os três restantes, Samuel Fielden, Oscar Neebe e Michael Schwab, foram finalmente perdoados em 1893.
Em 26 de junho de 1893, o governador de Illinois, John Peter Altgeld, emitiu a mensagem perdão em que ele deixou claro que ele não estava concedendo o perdão, porque ele acreditava que os homens tinham sofrido o suficiente, mas porque eles eram inocentes do crime para o qual havia sido julgado, e que eles e os homens enforcados haviam sido vítimas de histeria, os júris embalados e um juiz preconceituoso. Ele observou que os réus não foram provados culpados, porque o Estado “nunca descobriu quem foi que jogou a bomba que matou o policial, e as evidências não mostram qualquer ligação entre os réus eo homem que atirou nele.”
Dia Internacional dos Trabalhadores é a comemoração do evento Revolta de Haymarket , em Chicago , em 1886. Em 1889, o primeiro congresso da Segunda Internacional, reunião em Paris para o centenário da Revolução Francesa e da Exposição Universal (1889) , na sequência de uma iniciativa do Federação Americana do Trabalho , convocaram protestos internacionais em 1890 aniversário dos protestos de Chicago. Estes foram tão bem sucedidos que May Day foi formalmente reconhecida como um evento anual no segundo congresso da Internacional em 1891.
Não é de surpreender que o Estado, líderes empresariais, dirigentes sindicais mainstream, e os meios de comunicação querem esconder a verdadeira história do Primeiro de Maio. Na sua tentativa de apagar a história eo significado do Dia de maio, o governo dos Estados Unidos declarou 01 de maio como “Lei Day”, e deu os trabalhadores em vez do Dia do Trabalho, a primeira segunda-feira de Setembro – um feriado desprovido de qualquer significado histórico.
No entanto, em vez de suprimir os movimentos operários e anarquistas, os acontecimentos de 1886 ea execução dos anarquistas de Chicago, os porta-vozes do movimento para a jornada de oito horas, mobilizou muitas gerações de radicais. Emma Goldman, um jovem imigrante na época, depois apontou para o caso de Haymarket como o seu nascimento político. Em vez de desaparecer, o movimento anarquista apenas cresceu na esteira de Haymarket.
Como trabalhadores, devemos reconhecer e comemorar o Dia de maio, não só pela sua importância histórica, mas também como um tempo para organizar em torno de questões de importância vital de hoje para a classe trabalhadora em sentido lato, ou seja, as bases – as pessoas vistas como uma classe em contraste com os superiores de renda e / ou classificação – economicamente e / ou políticos / administrativos.
Os Manifestos Primeiro de Maio dos Trabalhadores Internacionais do Mundo filiados à Anarquista Internacional , a partir dos últimos anos são publicados em sua página na Internet, clique aqui!
Texto original
In 1884, the Federation of Organized Trades and Labor Unions of the United States and Canada , organized in 1881 (and changing its name in 1886 to American Federation of Labor ) passed a resolution which asserted that “eight hours shall constitute a legal day’s work from and after May 1, 1886, and that we recommend to labor organizations throughout this district that they so direct their laws as to conform to this resolution” .
Sugira uma tradução melhor

COPIADO DE WWW.ANARQUISTA.NET

quinta-feira, 13 de abril de 2017

COMEÇOU AGORA MINHA SEMANA SANTA. QUEM VEM COMIGO?


tOny PAcheco

"Vigiar e Punir", de Michel Foucault. "Comece hoje a controlar o estresse", de Connie Neal. "Perspicácia - Aprenda a pensar como Sherlock Holmes", de Maria Konnikova. "Só Freud Explica", de Joel Levy.
Não são livros difíceis de serem encontrados. Você pode pegar em bibliotecas de faculdades ou em bibliotecas públicas se não puder comprar. Depois de concluir as leituras eu farei um resumo para @s amig@s. Bom feriado para todos, matando a fome de saber, que é bem melhor que comer peixe salgado e chocolate com toneladas de açúcar...
Depois que terminar de ler também posso emprestar aos amig@s.



domingo, 9 de abril de 2017

Anarquia Viva

Ricardo Líper



O anarquismo cada vez mais se expande mundo afora. Todas as lutas sociais têm um sabor anarquista. Ou seja, o feminismo, a luta contra o racismo, o amor livre para todos o que inclui relações sexuais com o mesmo sexo. E, o mais importante, o que as caracteriza é que são sem partidos e sem dominadores. São específicas, quer dizer, não é uma luta de classes ou baseada na economia, mas uma reação à dominação, ou seja, ao poder. Para mais detalhes acesse o livro de Uri Gordon     https://colectivolibertarioevora.files.wordpress.com/2015/09/anarquia-viva.pdf